Opinião

O extremismo a serviço da morte do bom senso

19 de março de 2018 às 10h52 Por Heron Cid
Nas redes, execução de Marielle Franco foi reduzida a mais um tema de debate entre "esquerda e direita"

A exacerbação ideológica no Brasil chegou aos níveis máximos. Corrijo: ultrapassou todos os limites. No moinho do histérico e estéril debate entre esquerda e direita, espectros quase em extinção, perdeu-se o prumo das coisas.

Se na arena política, há despudorado aproveitamento de todas as partes, nas redes sociais assistimos deprimentes pichações digitais sobre a brutal execução da vereadora Marielle Franco.

Militantes que se apresentam com ideários de esquerda responsabilizam defensores do impeachment de Dilma Rousseff, ou o próprio Governo Temer, pela bárbara morte.

Uma forma enviesada de combater a intervenção federal no Rio, cartada política do sucessor do petismo, herança, portanto, deixada pela aliança PT/PMDB.

Até charges com panelas atirando contra o carro da ativista social foram espalhadas, numa culpabilização direta a setores identificados como de direita.

No revide, ultra-radicais do outro lado ocupam-se em desqualificar a reputação e assassinar, pela segunda vez, a cidadã e política executada sem chance de defesa.

Ligam, sem constrangimento, a vereadora ao crime organizado, forjam relacionamentos amorosos com um traficante, com direito até a fotos atribuídas a ela.

Como se qualquer um desses boatos, se um dia viessem a ser comprovados, justificassem a barbaridade ou diminuísse a culpa dos autores da tragédia.

Uma tentativa tresloucada, cruel e covarde de fazer da vítima a culpada.

O radicalismo é revelador. Aponta a patologia de uma sociedade abatida pelas crises políticas e pelo caos da violência.

Doença que apresenta seus perversos sintomas.

Na política, as pessoas não querem diálogo, elas buscam o confronto.

Nas ruas, o cidadão não quer paz. Ele grita pela retaliação.

No Brasil, não se pede mais justiça. A maioria quer justiçamento.

Para justificar causas, conceitos e preconceitos, vale tudo. Até pisar em cima de cadáveres.

Ao ponto de chegarmos à necessidade de escrever o óbvio: ninguém merece execução sumária. Nem os frios e covardes pistoleiros que silenciaram a jovem parlamentar com o nítido objetivo de afrontar o Estado brasileiro.

Quem atirou contra Marielle, tinha uma missão. A bala acertou em todos nós, brasileiros e brasileiras, indistintamente. Crivou o peito de um País, num ato de força para mostrar quem manda.

Esse crime, portanto não deveria dividir. Ele precisa se prestar para unir uma Nação contra o inimigo comum: a violência.

Venha de onde vier, das facções ou das milícias, dos morros ou dos bandidos infiltrados na farda da Lei.

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