Bastidores

Intervenção e assassinato empurram debate eleitoral para terreno perigoso. Por Vinicius Mota

19 de março de 2018 às 09h52
Em protesto na Avenida Paulista, multidão chorou por Marielle Franco

Em 2013, uma onda de protestos da esquerda acabou despertando, como resultado inesperado, um movimento de direita que mudou a política brasileira. Parece que os astros se combinam para pregar uma peça parecida agora.

A reação do público, ainda antes do assassinato da vereadora Marielle Franco, frustrou o plano. Os brasileiros endossam em massa a intervenção, mas não dão colher de chá ao presidente, cuja aprovação continua entre as piores já registradas.

O efeito mais importante do decreto até aqui foi o de federalizar de uma vez por todas o tema da insegurança.

Então ocorreu o massacre da representante do PSOL. Uma rede de solidariedade mais ampla que a dos simpatizantes da esquerda se formou para repudiar o crime estúpido. A esquerda pensa, como pensava no início das marchas de 2013, que ganhou uma bandeira de luta política.

Mas o impacto político e eleitoral de um assassinato ocorrido há apenas cinco dias ainda está longe de poder ser aquilatado. O episódio desgasta o governo Temer? É possível, mas machucar o que já está esfolado não vai significar grande feito.

E se a coisa funcionar ao contrário do que deseja o progressismoE se ajudar a aprofundar no eleitor a sensação de insegurança e a convicção sobre o fracasso das forças regulares da ordem, bem como dos partidos e candidatos que a têm representado?

No mundo de hoje, choques de insegurança que acometem uma sociedade —pela via do terror, do crime ou da migração— tendem a empurrar o pêndulo da política para a direita intolerante. No Brasil será diferente?

Jair Bolsonaro esfrega as mãos ante a perspectiva de jogar em casa as partidas decisivas desta eleição.

Folha de São Paulo

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