Opinião

Luciano e a sustentabilidade no PV

16 de março de 2018 às 09h03 Por Heron Cid
Com comando do Partido Verde, Luciano Cartaxo cria novo ambiente em torno de seu projeto político

Em exatamente 15 dias, o prefeito Luciano Cartaxo deu uma guinada. Produziu dois fatos políticos de impacto para dentro e para fora da Oposição.

No alvorecer de março, abdicou da disputa ao Governo e decidiu ficar na Prefeitura, deixando a Oposição oscilando entre dois sentimentos: satisfação, para os que lhe queriam fora do páreo, e preocupação, para quem o via como melhor candidato.

Duas semanas depois, Luciano voltou a incendiar as matas políticas.

A filiação ao PV cumpre o propósito do controle definitivo da própria estratégia, saindo, finalmente, da posição de controlado.

Toda liderança sem até grande expressão tem um partido para chamar de seu na Paraíba. O staff de Luciano compreendia que ele, como líder em ascensão, precisava da mesma autonomia para construir um grupo.

Mas não poderia ser um partido qualquer, tipo o PMN, pequena sigla, sem expressão e nem estofo para combinar com um quadro emergente.

O PV – um das poucas legendas cujo dono não era um deputado federal – foi o alvo. O partido carrega em si um conceito, um selo, e uma inserção nacional. O perfil soft e ideal, portanto.

Eis que Luciano passou pessoalmente a comandar os entendimentos com José Luiz Pena, presidente nacional, trazendo para perto o até então presidente estadual, Sargento Dênis, que perdeu a patente, mas não o prestígio.

Operação semelhante à de tomada do PMN de Lídia Moura, compensada com uma secretaria na gestão, o que deve se repetir com Dênis.

Luciano Ganhou duplamente. Tirou um partido da base governista, mas não fechou portas com o Governo. Pelo contrário, agora tem sinal verde para fazer qualquer tipo de aliança.

Na floresta perigosa da Oposição, trocou o figurino de animal em extinção pelo cocar cheio de penas de cacique.

Com o PV nas mãos, Luciano Cartaxo criou um novo ambiente para si e finalmente conquistou o que ainda faltava ao seu projeto: sustentabilidade política.

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PONTO DE INTERROGAÇÃO
Os candidatos deram uma trégua na Copa ou a Copa deu uma trégua para eles?
NÚMERO

R$ 1 bilhão

Recursos para o Fundo Nacional de Seguranca, a ser retirado do Fies, segundo números da Folha de São Paulo, posteriormente negados pelo Governo Federal.