Opinião

A Oposição sob risco de uma anticandidatura

14 de março de 2018 às 10h24 Por Heron Cid
Em plena democracia, Oposição paraibana pode repetir, inconscientemente, gesto de Ulysses Guimarães na Ditadura

Na década de 1970, o Brasil estava mergulhado no auge da Ditadura Militar. Até para deputados, era um perigo criticar violações de direitos humanos.

Sem muitas opções, um grupo de 23 deputados – conhecidos como autênticos – pressionou o moderado Ulysses Guimarães a endurecer com os militares.

“O grupo tinha clara determinação de fazer a abertura, o fim dos atos institucionais, principalmente o AI5, a anistia, o retorno dos direitos civis, voto, etc., mais o fim da censura, repatriamento dos exilados e devolução dos direitos aos cassados”, relembra o ex-deputado paraibano Marcondes Gadelha (hoje no PSC), que integrava a ala.

Os autênticos lançaram o nome de Ulysses Guimarães como anticandidato. Com um papel, claro: criticar a ditadura e no final renunciar, antes da sessão do colégio eleitoral, marcada para 15 de janeiro de 1974.

Ulysses, porém, descumpriu o roteiro, manteve sua candidatura e acabou recebendo 76 votos. Geisel foi eleito com 400 votos do partido oficial, a Arena.

Na Paraíba de 2014, em ventos da democracia, a Oposição, que há tempos não se entende, e só tem unidade da boca pra fora, brincou de favoritismo, se esfacelou e, depois do movimento abrupto do prefeito Luciano Cartaxo, corre o risco de, desprovida de alternativas com a resistência do prefeito Romero Rodrigues, recorrer ao instrumento do anti-candidato.

É o que se desenha, por exemplo, quando são ensaiados os nomes de Pedro Cunha Lima, Lucélio Cartaxo e do vice-prefeito Manoel Junior. Quadros que – pelo desempenho pessoal – até podem surpreender no curso da campanha. Mas já entrariam nela com um peso desconfortável nas costas; o de ser candidato pela falta de candidato.

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