Opinião

Campanha da Fraternidade, o problema ruim na hora boa

15 de Fevereiro de 2018 às 11h29 Por Heron Cid
Lançamento da Campanha da Fraternidade, 2018; um tema indigesto num ano de definição de rumos

A Confederação Nacional dos Bispos, da Igreja Católica, escolheu o tema certo, no momento oportuno.

A vida nunca antes esteve tão banalizada no Brasil. As ferramentas de prevenção e até de repressão fracassaram.

O Rio de Janeiro é um exemplo, mas nem de longe uma ilha na crise de segurança pública brasileira.

De norte a sul, o clima é de tensão e a sensação prevalente é a do medo. A Paraíba não foge à regra.

Basta o desabafo do bispo de Campina Grande, Dom Dulcênio Fontes, para ilustrar.

O debate chega em bom tempo. Quando o eleitor busca soluções e quer ouvir propostas e compromissos de candidatos para arrefecer esse mal.

Como bem pontua a campanha da CNBB, a tarefa, entretanto, não é só de polícias e governos.

Embora estas instituições tenham suas obrigações e responsabilidades, que devem ser cobradas, o quadro pede muito também de nós – cidadãos.

A violência não é um fenômeno que pode ser resumido apenas na ação e organização do crime.

Ela está em nós e passeia todos os dias em atos, posturas e comportamentos.

Violência – seja ela de qual tipo for – gera mais violência. Nós, nas nossas casas, famílias, trabalho e ruas, também temos nossa parte a cumprir.

Não adianta apenas olhar para o delinquente contumaz e apontar o dedo, se no espelho não enxergamos tudo aquilo que coopera com o ambiente de distância da paz social.

É o desamor nas casas, é a competição no trânsito, é a indiferença com os mais fracos nas avenidas é o autoritarismo com os menos empoderados.

Essa revolução precisa começar dentro de nós. Se não, pouco valerá abrir a boca em protesto nas praças se nosso coração grita por sangue.

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