Opinião

Menos ideologia, mais razão

8 de fevereiro de 2018 às 11h43 Por Heron Cid
Cazuza; artista ironizou partidos e políticos na canção Ideologia, um monumento em versos e sons

João sai de casa todos os dias antes das 6h da manhã. Logo em seguida, os dois filhos rumam de transporte escolar para o colégio particular que a família paga com muito sacrifício. Débora, a mulher de João e mãe de Davi e Sara, deixa o lar e vai para a pequena loja de roupas no bairro.

Essa típica família brasileira se esforça como pode para pagar as contas. Nem sempre consegue manter tudo em dia. Nesse começo de ano, por exemplo, ainda não comprar o livro dos filhos e nem sabe dizer aos meninos quando eles poderão acompanhar as matérias no mesmo ritmo dos demais colegas de sala.

Gente como João e Débora, como todos os brasileiros, torcem e esperam ansiosamente para eleger um novo governo. Para eles, o debate estabelecido no Brasil – que até pouco entendem – de nada vale para mudar a realidade em que convivem. Muito menos para garantir que o próximo presidente, governador e representantes correspondam suas expectativas de um País mais justo e decente.

Eu falo do histérico e estéril discurso das ideologias. O que se chamou convencionar de direita e esquerda em confronto permanente movido pelo afloramento dos ânimos e aguda crise política que abateu o Brasil nos últimos anos.

Esse debate, convenhamos, é coisa de poucos. Das patotas. Alguns mais desavisados cometem a ignorância de se imiscuir nele em busca de algum equivocado e deslocado reconhecimento intelectual. Como está na moda, é bom tomar um partido e escolher um lado.

Bobagem. Como bem pontuou ontem na tribuna da Câmara Federal o deputado paraibano Pedro Cunha Lima, o povo não quer saber se o governante é de direita ou de esquerda. O que o brasileiro quer é um governo correto, que se dê ao respeito e que respeite o contribuinte.

Até porque já experimentamos todos os pólos na nossa jovem democracia. Vivemos o período FHC, tido como representante de um setor mais à direita, e assistimos avanços sociais, estabilidade econômica,  mas também muitos desmandos e sucateamento.

Experimentamos, finalmente, um governo chancelado como de esquerda. Surfamos num excelente momento econômico, festejamos a diminuição considerável da pobreza, conquistamos respeito nacional, porém o desfecho foi melancólico – corrupção e desemprego.

Agora em 2018 somos convidados a escolher o rumo que queremos. Nessa hora, João e Débora estão procurando candidatos que acabem com esse modelo de Estado generoso demais para uma elite e padrasto – no pior sentido da expressão – para os moradores do andar debaixo.

As cadeias da Lava Jato estão cheias de ideologias. De partidos e cores. Portanto, em 2018, menos estereótipos e mais razão. Por favor.

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