Opinião

O preço da sinceridade

7 de dezembro de 2017 às 08h41 Por Heron Cid
Nos Estados Unidos, negros são alvos de de mortes; truculência a mais pobres é cultura policial no mundo

Não é verdade que toda a população teme a presença da Polícia. Alvo de violência crescente, o cidadão deseja muito sonhar com mais policiais na rua para inibir os delitos e as ações criminosas.

Nem é verdade também que em todas as comunidades o olhar das pessoas é de tranquilidade e segurança quando testemunha uma batida ou é alvo de uma abordagem policial.

Parece ter sido isso que a deputada Estela Bezerra quis dizer quando, na Assembleia, enfatizou que em algumas ocasiões e circunstâncias a presença da Polícia causa temor para além dos marginais ou criminosos.

A afirmação não é uma desqualificação e nem muito menos generalização ao trabalho da corporação. É, antes de tudo, uma constatação histórica da diferença de parâmetros do exercício da autoridade a partir dos abordados e de suas condições econômicas, aparências físicas e raça.

Uma pergunta rápida: no geral, quando está diante de um suspeito, a conduta da Polícia é a mesma com um branco, de posses e habitante de áreas nobres em relação ao pobre, negro e morador da periferia? O não é a resposta óbvia.

E isso, infelizmente, não é uma coisa da Paraíba, ou da Polícia da Paraíba. Isso ocorre de João Pessoa a Washington, nos Estados Unidos, o centro do poder no mundo.

Nem muito menos é comportamento restrito à Polícia. Culturalmente, a autoridade apresenta postura e métodos diferenciados no tratamento.

No serviço público é assim, nos hospitais, nos fóruns, nas escolas. No privado também, nas clínicas, restaurantes, shoppings. É uma questão quase antropológica do próprio gênero humano e desde que o mundo é mundo.

É uma realidade que deve ser encarada e enfrentada, sem hipocrisia, ao invés de ser jogada para debaixo do tapete, alimentando o fingimento de que todos são tratados igualmente pelo poder público.

Seria sustentar uma mentira. Dizer a verdade tem um preço. Estela está pagando o seu.

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