Opinião

O voo de Campina Grande

11 de outubro de 2017 às 08h58 Por Heron Cid
Ao produzir o primeiro avião da Paraíba, Campina Grande, que já voa alto, cria novas asas

O Volato 400, primeiro avião fabricado na Paraíba, da Stratus, fez o seu voo inaugural ontem. Mais do que um evento industrial, a aeronave nos céus de Campina Grande, na véspera do aniversário da cidade, ganhou ares ainda mais que especiais.

O pioneirismo sela a pujança, ousadia e inovação dos campinenses, um povo de um sentimento latente, um orgulho danado de seu chão e uma auto-estima que se faz seu combustível.

Campina, de fato, vive um momento diferenciado. Ela decola para um ciclo de arrojados investimentos públicos, combinados com atração de capital privado.

O seu imenso Complexo Aluísio Campos, com sua ambiência habitacional e seu potencial econômico, via empresas e conglomerados produtivos, é uma turbina da obstinação e visão de alcance.

O projeto de planejamento a longo prazo, desenvolvido pela gestão municipal com a presença e monitoramento dos organismos sociais da cidade, tal qual um GPS de última geração, aponta caminhos, independente de governos, garantindo rotas de desenvolvimento e metas a serem cumpridas.

Nesse quesito, a administração pilotada pelo prefeito Romero Rodrigues tem uma valiosa contribuição. Campina Grande está na pista do futuro, com capacidade de prospecção de recursos federais, ampliando sua rede de serviços com dinheiro do próprio erário, e tendo coragem de experimentar nova dinâmica, impulsionando, profissionalizando e pavimentando nova estruturação do São João, o cartão postal cultural da Paraíba.

Mas a impetuosa Campina voa além do território dos seus gestores e autoridades, um segmento igualmente devotado pela sua terra, porque é ressonância e amostra de seu povo aguerrido, inventivo e dotado de um sentimento patriótico.

E essa aura singular supera a força econômica, o acervo tecnológico e educacional, a notável representação política, o signo do Açude Velho, o Museu dos Três Pandeiros, o Viaduto, o Parque Bodocongó, e tudo que já foi e será erguido de cal e pedra pelos seus homens públicos.

Este é o maior patrimônio desse berço frutífero e promissor, encravado no alto da Serra da Borborema. Um patrimônio imaterial que, de tanta força e beleza, faz a nação da Paraíba admirar e amar Campina como se dela fosse. Porque no coração, ela, na sua grandeza, é também de toda nossa gente paraibana.

Um povo irmão que tem todo o gosto de aterrissar nas suas aprazíveis campinas e de lá planar alto na sua poesia e rimar nos versos de suas asas.

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