Bastidores

Resgate de Temer será pago pelo déficit público. Por Josias de Souza

15 de setembro de 2017 às 10h21
Foto: Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil

Começa a ser escrita em Brasília a segunda edição da crônica de um enterro anunciado. Os aliados do governo na Câmara ainda não leram a segundo denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer. Mas já detestaram a peça. A exemplo do que aconteceu com a primeira, a nova denúncia será sepultada viva no plenário da Câmara. Ficará no freezer até que Temer vire ex-presidente da República.

A conta a ser feita é muito simples: há na Câmara 513 deputados. Para que o Supremo Tribunal Federal fosse autorizado a dar andamento às investigações, seriam necessários 342 votos. Assim, fica fácil para Temer livrar-se de Janot. Atraindo para sua infantaria 172 deputados, ele impede que seus rivais alcancem os 342 votos.

O discurso do governo e dos seus aliados está pronto. Alega-se que a economia se recupera lentamente e não é hora para se preocupar com detalhes insignificantes como uma denúncia por formação de organização criminosa e obstrução de Justiça. No Brasil o limite entre o que deve e o que não deve ser investigado é a capacidade que o presidente tem de descobrir o valor dos seus apoiadores na Câmara. No momento, os deputados estão em liquidação. E a compra será financiada pelo déficit público.


Comentários

Vídeo

Entrevista: Conselho traça ‘guia econômico’ para candidatos ao Governo


Em bom português

Dona Candinha mandou um torpedo para Neymar, na Rússia!

"Meu filho, menos cabelo e mais futebol!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Os candidatos deram uma trégua na Copa ou a Copa deu uma trégua para eles?
NÚMERO

R$ 1 bilhão

Recursos para o Fundo Nacional de Seguranca, a ser retirado do Fies, segundo números da Folha de São Paulo, posteriormente negados pelo Governo Federal.