Opinião

Da boca pra fora

15 de setembro de 2017 às 11h00 Por Heron Cid
Temer, ao centro, ao lado de seus fiéis escudeiros e uma promessa vã

O presidente Michel Temer se especializou em bravatas. Preocupado com sua imagem, que está rente ao chão, Temer fez uma solene promessa no começo do ano.

Qualquer ministro que fosse denunciado, seria imediatamente afastado, temporariamente, do Governo.

Se o auxiliar virasse réu, estaria formalmente demitido e não mais voltaria à Esplanada.

Na teoria, uma medida austera, admita-se. Na prática, uma conversa mole.

Agora, dois dos seu principais ministros estão na berlinda e inclusos na nova denúncia da Procuradoria Geral da República.

Moreira Franco (Secretaria Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) estão entre os denunciados.

E, como é de se esperar, nenhum dos dois passará um só dia fora do cargo.

O presidente vai confiar na fraca memória do brasileiro e fingir que nunca prometeu essa regra moral na sua gestão.

Ao invés disso, Temer fez uma ligação ontem para seu ministro da Agricultura, Blairo Maggi, alvo de buscas e apreensão da Polícia Federal, em solidariedade e garantia de permanência.

Michel manterá Moreira e Padilha também por outra razão. Fica difícil afastar seus ministros por conta de uma denúncia em que ele, o presidente, é o principal alvo.

Vídeo

Vídeo-comentário: quem tem medo de CPI?


Uma letra faz toda diferença

Dona Candinha, curta e grossa, sobre a nova viagem internacional do presidente Michel Temer:

"Enquanto ele está na ONU, a gente está no ônus!"

PONTO DE INTERROGAÇÃO
Depois de um ano de debate, o arremedo feito no Congresso pode ser chamado de reforma?
NÚMEROS

78%

Percentual de desaprovação de imagem do presidente Michel Temer, na visão de jornalistas latino-americanos.