Opinião

Nordeste Já: chega de mágoa, chega de tanto penar

19/03/2017 - 23h30 Por Heron Cid
Em abril de 1985, artistas cantaram um apelo no Nordeste Já; 32 anos depois continua atual

Em pouco mais de uma semana, a Transposição do Rio São Francisco – finalmente jorrando água e vida para a nossa Paraíba – viveu dois momentos distintos numa competição com alguma lógica política, porém reveladora do estado de espírito do Brasil em tempos de muito enfrentamento e pouco espírito público.

Com toda a crise, a classe política brasileira ainda não entendeu que essa histeria maniqueísta pode até servir à sobrevivência de grupos e partidos políticos, mas não serve ao povo, cansado de disputas menores e sedento por uma nova política em que ele seja o ponto central.

Se é verdade que Lula, Dilma e Temer, cada qual tiveram sua participação proporcional nesta obra, é maior verdade ainda que o Nordeste pagou pelo valor dela ao longo de sua história, com sangue, suor, diásporas, dores, mortes e atraso.

Passado esse tormento, a hora é de celebrar a corrente da vida que já escorre pelo Rio Paraíba, prometendo o verde na lavoura e água de beber para milhões dos nossos irmãos. E cuidar do Eixo-Norte, que ainda represa o socorro para os sertanejos.

Em 1985, um grupo de grandes artistas brasileiros – muitos nordestinos – se reuniu no disco Nordeste Já e produziu uma das mais belas canções sobre o drama da região.

Na criação coletiva, o título era um imperativo: “Chega de mágoa”. Trinta e dois anos depois, o apelo continua atual. E necessário.

Chega de mágoa

Nós não vamos nos dispersar
Juntos, é tão bom saber
Que passado o tormento
Será nosso esse chão…

Água, dona da vida
Ouve essa prece tão comovida
Chega, brinca na fonte
Desce do monte, vem como amiga

Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero orvalho toda manhã

Terra, olha essa terra
Raça valente, gente sofrida
Chama, tem que ter feira
Tem que ter festa, vamos pra vida

Te quero terra pra plantar, ah
Te quero verde
Te quero casa pra morar, ah
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã

Chega de mágoa
Chega de tanto penar

Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
Gente, olha essa gente
Olha essa gente, olha essa gente

Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada

Te quero terra pra plantar
Te quero verde, hum
Te quero casa pra morar
Te quero rede

Depois da chuva o Sol da manhã
Canto (eu canto) e o nosso canto (canto)
Joga no tempo (joga no tempo) uma semente
Gente (quero te ver crescer bonita)
Olha essa gente (quero te ver crescer feliz)
Olha essa gente (olha essa terra, olha essa gente)
Olha essa gente (Gente pra ser feliz, feliz)
Te quero água de beber (me dê um copo)
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Ah!

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