Opinião

O PSB e a escolha de Sofia

14 de Março de 2017 às 09h20 Por Heron Cid
No partido caiu a ficha; começou a contagem regressiva para a opção menos traumática

Acusada de contrabando, uma polonesa é presa com seus dois filhos pequenos no campo de concentração de Auschwitz durante a II Guerra. Um oficial nazista dá a ela a opção de salvar apenas uma das crianças da execução, ou ambas morrerão, obrigando a mãe à mais cruel decisão possível.

Essa é a temática do romance filmado por Alan J.Pakula, trama cujo título deu origem a expressão “a escolha de Sofia”, usada cada vez que um sujeito se acha diante da necessidade de um grande sacrifício pessoal.

Longe da ficção, é quase isso que o PSB da Paraíba experimenta na vida real. Imprensada pela conjuntura atual e ameaçado pelas escolhas que precisará fazer no futuro, a sigla se acha em dificuldade interna similar à personagem do escritor William Styron.

O drama começa pela difícil decisão de deixar ou não o Governo para uma disputa ao Senado. Enquanto o líder Ricardo Coutinho diz se inclinar pela permanência, como única forma de garantir chances de vitória na guerra, o partido, no geral, considera melhor salvar o que é mais tangível, o mandato de senador.

Nessa cena, teria que terceirizar o poder por oito meses à vice-governadora Lígia Feliciano – vista com reservas por setores do Governo apesar do comportamento amistoso e desprendido da médica – e trabalhar um acordo de convivência e viabilidade política, admitindo até a sua candidatura à reeleição.

Noutro enredo, Ricardo entra no sacrifício da própria imolação, ficando no Palácio, sem mandato posterior, e arriscando todo o seu legado pelo triunfo de alguém nas urnas. Aí, a carga de dramaticidade sobe ao nível máximo no Jardim Girassol.

Até agora, sem candidato com forte impacto eleitoral e penetração estadual, a sigla terá que optar entre um dos seus “filhos”. À legenda o dilema de resolver, entre os seus, quem tem identidade e condições políticas e conceituais de representar o ‘projeto’.

Um cristão novo, como o presidente da Assembleia, Gervásio Maia e suas características de tradição e herança política familiar, mas dotado de base e traquejo político, ou gente com ‘liga’ histórica e o legítimo DNA girassol, feito o secretário João Azevedo, afagado repetidamente por Ricardo, ou Estela Bezerra, já testada nas urnas e identificada com os movimentos sociais e a chamada ‘militância’?

No PSB – dentro de si e em silêncio – já caiu a ficha de muitos que, à cada badalada do relógio, se aproxima o tempo de se preparar e identificar a opção menos traumática. Tal qual Sofia.

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