Opinião

A postura de Cássio e o pau que dá no Velho Chico dá em Francisco

6 de março de 2017 às 16h37 Por Heron Cid
Canal Acauã-Araçagi, um exemplo de obra de vários governos a merecer reconhecimento de todos eles

Na miudeza do débil e raso debate sobre paternidades das obras da Transposição, a postura do senador Cássio Cunha Lima não tem colaborado para alimentar essa discussão por baixo, como cheguei a sugerir nesta Coluna, ao comentar o tema. Devo reconhecer, por senso de justiça.

Fustigado por petistas, setores do Governo e pelo próprio governador Ricardo Coutinho, o tucano vem se esforçando para evitar a ignóbil queda de braço, lembra que “obra pública não tem dono” e reconhece até os méritos de Lula e Dilma, seus adversários, tal qual os seus críticos.

As lembranças a Lula e Dilma, porém, são uma faca de dois gumes para governistas empenhados em diminuir a contribuição do Governo Temer, que vai inaugurar a Transposição na Paraíba, e a participação de aliados, feito Cássio, na decisão política de reabilitá-la da paralisia e inaugurá-la num cronograma de dez meses.

A questão é simples. Se atestam e louvam a importância dos ex-presidentes na concepção e execução do projeto da Transposição, governistas paraibanos estariam reconhecendo, por analogia, as contribuições de governos passados, como o do tucano, em obras atualmente em execução ou já inauguradas por Ricardo?

Todos sabem. Muito do que Coutinho toca, começou em governos passados. O Centro de Convenções, por exemplo, concebido ainda por Tarcísio Burity, na década de 80, foi licitado no Governo Cássio, desembaraçado no Maranhão III e finalmente construído e entregue por Ricardo.

Ainda em obras, o Canal Acauã-Araçagi, antes chamado de Vertentes Litorâneas, foi projetado e iniciado em 2008, sequenciado em 2010 e continuado por Ricardo desde o começo da sua gestão. Esse ano a intervenção completará um percurso de nove anos para levar água por uma extensão de 112 km. E será Ricardo quem inaugurará.

Caminhos da Paraíba – o carro chefe do atual Governo – é um programa gestado ainda no Governo Cássio em parceria com a Corporação Andina de Fomento, responsável pelos recursos. Maranhão destravou e liberou a milionária verba e coube a Ricardo a execução e ampliação do raio de alcance de novas estradas.

Portanto, quem aplaude, merecidamente, com entusiasmo os relevantes serviços de Lula e Dilma na Transposição, fica política e moralmente comprometido a reconhecer o papel de governos estaduais anteriores nas ações festejadas como símbolos de trabalho da atual gestão.

Na Paraíba, pau que serve para chicotear o Velho Chico tem que ser o mesmo para Francisco… E Cássio.

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